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domingo, 12 de abril de 2015

Fear of the dark

Você tem medo do escuro?
Eu tenho, eu tenho medo 
E mais do que eu posso contar 
Eu tenho medo dos inúmeros olhos que 
Na escuridão me observam
Tenha medo de desligar as luzes
De fechar as cortinas 
E mais medo ainda de trancar a porta e ficar só
Tenho medo dos meus pés descalços tocarem 
O chão frio, aquele chão frio me consumir
Tenho medo do frio que percorre minhas veias 
E atravessa meu corpo
Como ser quem eu sou se eu tenho medo?
Eu chego a ter medo de mim mesma
Eu vejo meu futuro cinza 
Eu vejo as almas mortas me esperando 
Mas como ajudar aqui sem ser vista?
Como ajudar sem estar com os pés na escuridão fria? 
Como ajudar sem ter medo?
Eu não sei se espero mais
Eu espero? Devo esperar?
Devo aguardar a escuridão?
Pegar meus dedos? Meus pés? Minhas pernas?
Meu tronco? Meus braços? Minha cabeça? 
Minha alma?
E o que será de mim? O que será do corpo que tenho?
O que vai acontecer com a garotinha assustada?
Por que ninguém conta?
Por que não tem luz? Por que ninguém mostra?
EU PRECISO DE AJUDA! ALGUÉM ME AJUDE!
Eu só quero uma luz!
Uma explicação!
Uma resposta!
Segurança!
Se os Deuses ainda quiserem uma serva, por que não lhe mostrar seu trabalho?
Eu não preciso de incertezas! Se for pra lutar, me mostrem a causa!
Mas não me deixem aqui, na escuridão
"A noite é escura e cheia de terrores!"
Eu só ouço palavras, palavras sussurradas ao vento
"My son! My son!" Meu Castiel 
My little baby! Oh! My little baby! Forgive me!
Please, forgive your mother!
Your mommy loves you, so much! 
Your mommy is here! I'm still here!
I'm here crying alone!
Forgive me!


sábado, 21 de março de 2015

Conto

Ficar sozinha em casa em um fria tarde de sábado, nublada e silenciosa, não era o plano que tinha em mente, ficar só não é vantajoso quando se ouve demais. Para ela o "ouvir demais" não quer dizer segredos e mentiras dos que estão a sua volta, quer dizer que "eles" sussurram coisas para ela.

E quando a solidão e o silêncio se abraçam calorosamente, ela sabe que está em desvantagem,  "eles" rondam a casa furiosamente e tentam alcançá-la insistentemente.  E a garota se desespera por sentir que algo ruim vigia cada passo seu, mas ver "eles" é algo que só mortais especiais conseguem mas ela também é especial, de um jeito diferente.

Ela ouve, vozes trazidas pelo vento e pela quietude, todas as inúmeras tardes sozinhas, "eles" chamam seu nome. Às vezes calma e ternamente porém quando "eles" gritam seu nome, o próprio céu parece compartilhar a raiva que "eles" sentem da garota não responder seu chamado.

Entretanto ouvir seu nome é muito melhor do que ouvir: "Escreva!". Durante longos e longos dias, ela ouvia "Escreva!" e parecia que nunca ia parar e isso estava a enlouquecendo. Desde o amanhecer até o entardecer era só o que sussurravam em seus ouvidos, e mesmo que cada molécula do deu corpo se negasse a seguir aquela ordem, ela finalmente entendeu o que "eles" queriam.

E ela escreveu, escreveu todos os dias, por horas, acordava no meio da noite e suas mãos pareciam ter vontade própria, seus dedos não soltavam mais o lápis e mesmo que lutasse só conseguia se ver livre quando "eles" terminavam de contar suas histórias de morte, caos e  destruição. Ela não tinha para quem contar o que acontecia, não podia pedir ajudava, ela estava sozinha e só ela poderia se salvar.

Então ela escreveu, escreveu e escreveu por um bom tempo porém algo mudava, lentamente, ela rejeitava o que não era do seu agrado, se recusava a ser acordada para escrever, se recusava a interromper coisas importantes para escrever. Não era mais a ordem que controlava ela, e sim ela controlava a ordem porém eles sussurravam "Escreva!" incessantemente e por fim ela disse "Não!". E ela não escreveu mais nada.